sábado, 25 de abril de 2009

... Under a Veil

Não há nada que o tempo não altere.

À umas semanas atrás fiz um pequeno regresso ao passado-recente.

É impressionante como as “coisas” mudam, mesmo até aquilo que sentimos por elas.

Por vezes andamos anos e anos a lutar por elas. Choramos, rimos, debatemos, mentimos. Chegamos até a cometer erros que nunca mais nos esquecemos, ou porque fomos felizes através deles ou porque nos serviram de lição.

Um ano depois dos tempos áureos, quando tinha asas em vez de garras, quando tinha um sorriso em vez de uma lágrima e lutava por ela e não contra ela, voltamos a estar lado a lado. Ambiente calmo e sereno onde só se ouviam anjos e demónios apunhalarem-se e que de um modo subterfúgio escondem as derrotas de cada um.

E um vazio!

A sensação foi igual à de entrar numa casa, hoje vazia aos meus olhos, com paredes brancas, com os quadros caídos no chão, com as fotos que marcaram os melhores momentos vividos. Todos o mobiliário tinha desaparecido. Já não existia aquele “sofá” onde várias vezes encostava a cabeça no colo dela. A “mesa” na sala onde, enquanto jantávamos, fazíamos planos para o nosso futuro. Até o chão que muitas vezes substituiu a “cama” tinha o soalho degradado.

Ficou apenas a visita. O marco.

A neblina desapareceu e agora vejo que o caminho termina aqui. Restam umas quantas tábuas a pisar, só para sentir o cheiro da água. Se bem que águas passadas não movem moinhos, mas estas espelham o mar de felicidade com que me presenteaste estes anos.

Penso que ambos abrimos cicatrizes. Mesmo assim, saí de lá com um sorriso nos lábios, …ainda não sei porquê!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

... Dead and Gone!

Na passada quinta-feira acordaram-me com a seguinte frase: “O Sérgio morreu.” Como será o resto de um dia quando nos informam que um amigo acaba de falecer? Como será o resto de uma semana quando nos enchemos de lembranças de momentos que passamos juntos?

O Sérgio era (ainda custa usar este tempo verbal) um bom amigo. Foi com ele e juntamente com o resto da turma, que passei os melhores momentos da minha juventude. Aqueles momentos de irreverência e imposição que nos marcam e por muito que a nossa maneira de ser mude, jamais saíram da memória. Como amigo, colega e admirador, fui prestar a última homenagem no seu funeral, juntamente com uns amigos de turma. É indescritível aquela sensação de estarmos juntos, a ver o caixão a entrar para o carro fúnebre… quando antes prezávamos os almoços e jantares que organizávamos onde Sérgio era um convidado assíduo.

Já dentro da igreja e enquanto decorria a missa, o padre proferiu a seguinte frase:

“- O Sérgio morreu e morreu bem!”

O que é isto? E como se não bastasse, remata:

“- O Senhor chamou-o porque o queria levar para um lugar feliz.”

É por estas e por outras coisas mais que me repugna a igreja e tudo o que se move em redor dela. Que lugar é esse onde se pode ser mais feliz que a terra, principalmente quando se tem ainda 30 anos, família, namorada e um futuro pela frente?

Irrita-me essa ladainha, daqueles que vivem da grande mentira da humanidade, que justificam tudo o que acontece através de contos e fábulas.

Com ou sem a peça de teatro, sei que o que resta de ti, hoje, são cinzas. Sei também que em algumas delas estão a amizade que tinhas por mim, por isso respeito-te e aqui fica a minha homenagem: Obrigado Sérgio!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

... Again!

Imaginem um tapete rolante. Um tapete tipo os que transportam as malas dos passageiros, os aeroportos. Agora imaginem uma mala. Uma mala que está nesse tapete e que ninguém a vai buscar. Ninguém a reclama.

Assim eu me sinto. Sentado num tapete rolante, dando voltas e voltas, observando centenas de pessoas todos os dias, num vai-vem infernal. As malas junto a mim, vão variando, mas todas elas pertencem a alguém. De certo que eu também devo pertencer a uma ou a outra pessoa mas ainda não deve ter chegado a minha vez. Ou então, essa pessoa não deve saber onde me encontrar.

E para quê? Será que vale a pena virem-me buscar? Já estou tão habituado à melancolia deste tapete que tudo lá fora já me mete medo. Só de imaginar em colocar um pé fora até me dá um arrepio na espinha.

Aqui, os dias são todos iguais. Não existem surpresas, não existe dor. Não há amizades mas também não crio inimigos. Não recebo carinhos, mas também não sou agredido. Não dou o melhor de mim, mas também não traio.

Contra a vontade de algumas pessoas, vou continuar aqui. Mesmo desanimando quem menos queria, mesmo sabendo que posso magoar aqueles que não vêem com os meus olhos nem sentem os espinhos dos erros cometidos, nem o vazio…

"Na vida, só há dois lados: se não se faz parte da solução, faz-se parte do problema"