domingo, 25 de setembro de 2011

...I Just Died In Your Arms!

Hoje passei na rua e vi alguém a remexer no lixo, enquanto eu colocava as minhas compras no carro. Triste imagem essa que por vezes evitamos olhar, perceber ou mesmo abordar. Será que a grandeza que leva essas pessoas a tomar tal atitude é a mesma de quem passa os dias a vasculhar no "lixo do passado"? Será que a fome de ser feliz, a necessidade de nos alimentarmos com imagens, textos ou locais, à procura da serenidade outrora presente, nos leve a vasculhar nos nossos baús ultrapassando vergonhas e medos. Quantas vezes me senti tentado a fazer um desvio no meu percurso só para sentir... só para estar ali onde o epicentro tem o dom de silenciar todo em meu redor e deixar-me (re)viver aquele momento. O som, o cheiro, a paisagem. Foi ali.
As cartas, os bilhetes, os poemas. Montes e montes de papeis contendo aquilo que realmente me fez chegar até eles: a necessidade de sentir o cheiro da felicidade! Eu sei que ao abrir aquela gaveta, toda aquela fantasia vai ganhar vida, os papeis vão sair da gaveta como fogo de artifício, as fotos ganham vida e cor, os postais saem voando como um bando de pássaros famintos de liberdade. Tudo isto rodopia nos "céus" do meu quarto, proporcionando-me um espectáculo de emoções que vão explodindo à medida que me deixo levar por tudo aquilo que elas contêm. (...) De repente caio em mim e vejo que apenas coloquei os dedos no puxador!
Acabou. Acho que é aqui que eu digo adeus a este capítulo da minha vida. Apenas quis pisar as pegadas firmes que dava porque já não sinto qual o chão que deva pisar. Agora, todas as fotos ficam imóveis e repletas de um cinzento frio. Os papeis, os bilhetes, os postais, todos eles voltam à gaveta mágica mas agora numa marcha fúnebre onde as lágrimas de cada um borratam os textos absorvendo as palavras e provocando o mais longo dia de chuva até então. Apagam-se as pegadas, os rastos, os cheiros e a facilidade de viver.
Por isso ainda hoje gosto dos dias chuvosos e esteja onde estiver, venho cá fora e deixo-a bater na minha cara e sentir cada palavra que cada gota traz e ao chegar à minha boca sinto finalmente o seu sabor, o sabor da felicidade.



(fazia algum tempo que não escrevia... amanhã volto a abrir a gaveta)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

... Tears



"Death may be the greatest of all human blessings."

Socrates


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

...Shatter Me With Hope!

Porque é que está tudo tão cinzento? Porque é que está tudo tão estranho? Porque insistem em querer derrubar o muro, se nunca tiveram intenção de entrar? De que serve mostrarmo-nos fortes se o que é fraco, ainda tenta bater dentro de nós? Novamente o peso da perda descansa em meus ombros e eu juro, que o tinha arrancado mas as tuas palavras o devolveram ao sitio sem eu me aperceber,… dia a dia foi-se integrando no meu peito como que se nunca tivesse sido despejado. Colocaste-o no sítio, coseste-o com as tuas mãos enquanto anestesiavas-me com as tuas palavras sensoriais. Saravas-me as cicatrizes com aqueles teus beijos, distantes, cálidos e errantes de vidro . Repetiste-me vezes sem conta qual era a sua função e como o devia usar. No dia em que tinha o peito sarado de todas as operações e pronto a usá-lo, as tuas palavras desapareceram. Senti um frio enorme e a escuridão dava conta de todos os meus sentimentos. Sentimentos! Já tinha esquecido qual o significado. Evitava respirar na tentiva de ouvir qualquer murmúrio, mas era em vão! Por vezes é melhor que nos tirem o chão do que ter que caminhar sobre mentiras e promessas, ...às vezes desejava estar morto demais para não sentir a dor de volta. E aqui fico eu, com as mãos enfiadas nos meus bolsos metafóricos, acorrentado ao meu confortável canto do medo. Os meus olhos ateiam fogo aos pensamentos mais obscuros, enquando vejo as cinzas subirem ao céu como se estivessem a dançar algum tipo de valsa. Nem eu acredito no que estou a dizer, mas enquanto estas cicatrizes me fizerem lembrar que o passado é real vou fechar-me dentro de mim e não permitir que cheguem perto, ouvir a minha alma a gritar mas manter sempre a boca calada, chorar mas sempre sozinho!