segunda-feira, 30 de abril de 2012

...Hell & Consequences!

E é assim quando chove. Uma necessidade divina de a deixar possuir.
Ele era assim. Não perdia uma oportunidade de caminhar por debaixo dela, na tentativa de apanhar todas as gotas porque, segundo ele, cada gota tem uma maneira diferente de nos acariciar o rosto, cada gota provoca um deleite ímpar, um apanágio cristalino e fresco. É ela que, gota a gota, preenche todos os buracos do seu "trilho", tornando-o na mais bela planície e trazendo até ele o odor do alcatrão molhado. Sentindo-se ignóbil aqui, só aquela quantidade de água, limpa todas as mentidas que de uma, ou a sua, vida é feita.
E está cada vez mais frio. Basta olhar para a cara dele. Todas as histórias da sua vida estão agora gravadas em seus olhos e jamais poderão ser apagadas. Ao seu lado, o vulto-de-boas-intenções aligeira-lhe o passo, pois o caminho ainda é longo e, seu assobio de marcha, cega-lhe os olhares críticos de quem passa.    
Porém, são momentos como aquele beijo à chuva que lhe trazem a certeza que não será o único a caminhar por debaixo dela. Diz ele, que a chuva parou no momento em que os lábios se tocaram. Cada gota ficou paralisada no tempo e naquele dia foram elas que contemplaram a magia de duas lágrimas a correrem o rostos de ambos. Acreditem nele, por vezes, voltar atrás e dar um salto à frente. Mesmo que a vida lhe retire o chão, há-de haver algum demónio qualquer que o salve, pois só esse o conhece.
Hoje, a chuva não cai na mesma direcção, não molha e por vezes chega mesmo a desviar-se dele. O seu chão é agora árido, seco e impenetrável pelo sol que muitos trouxeram, na ânsia de o fazer sorrir, sendo leigos e descuidados com alguém que é diferente. Ele não é assim. Ele vive onde os outros são desconfortáveis. Ele contempla onde os outros fecham os olhos. E é assim quando chove!

domingo, 25 de setembro de 2011

...I Just Died In Your Arms!

Hoje passei na rua e vi alguém a remexer no lixo, enquanto eu colocava as minhas compras no carro. Triste imagem essa que por vezes evitamos olhar, perceber ou mesmo abordar. Será que a grandeza que leva essas pessoas a tomar tal atitude é a mesma de quem passa os dias a vasculhar no "lixo do passado"? Será que a fome de ser feliz, a necessidade de nos alimentarmos com imagens, textos ou locais, à procura da serenidade outrora presente, nos leve a vasculhar nos nossos baús ultrapassando vergonhas e medos. Quantas vezes me senti tentado a fazer um desvio no meu percurso só para sentir... só para estar ali onde o epicentro tem o dom de silenciar todo em meu redor e deixar-me (re)viver aquele momento. O som, o cheiro, a paisagem. Foi ali.
As cartas, os bilhetes, os poemas. Montes e montes de papeis contendo aquilo que realmente me fez chegar até eles: a necessidade de sentir o cheiro da felicidade! Eu sei que ao abrir aquela gaveta, toda aquela fantasia vai ganhar vida, os papeis vão sair da gaveta como fogo de artifício, as fotos ganham vida e cor, os postais saem voando como um bando de pássaros famintos de liberdade. Tudo isto rodopia nos "céus" do meu quarto, proporcionando-me um espectáculo de emoções que vão explodindo à medida que me deixo levar por tudo aquilo que elas contêm. (...) De repente caio em mim e vejo que apenas coloquei os dedos no puxador!
Acabou. Acho que é aqui que eu digo adeus a este capítulo da minha vida. Apenas quis pisar as pegadas firmes que dava porque já não sinto qual o chão que deva pisar. Agora, todas as fotos ficam imóveis e repletas de um cinzento frio. Os papeis, os bilhetes, os postais, todos eles voltam à gaveta mágica mas agora numa marcha fúnebre onde as lágrimas de cada um borratam os textos absorvendo as palavras e provocando o mais longo dia de chuva até então. Apagam-se as pegadas, os rastos, os cheiros e a facilidade de viver.
Por isso ainda hoje gosto dos dias chuvosos e esteja onde estiver, venho cá fora e deixo-a bater na minha cara e sentir cada palavra que cada gota traz e ao chegar à minha boca sinto finalmente o seu sabor, o sabor da felicidade.



(fazia algum tempo que não escrevia... amanhã volto a abrir a gaveta)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

... Tears



"Death may be the greatest of all human blessings."

Socrates