O certo, é que já me ouves há mais de quatro anos e não deve ser fácil. Tens sido o alvo preferido de todos os meus momentos de reflexão. Carregas com histórias que não ouso orar a ninguém, nem mesmo àqueles amigos que cumprimento todos os dias. Dias escuros que pairam sobre mim, perdas de alguém que outrora caminhou a meu lado, confissões de um tolo, desespero, raiva,... de um homem solitário que, por mais preenchido que esteja, que por mais gente que o rodeie, por mais que o amem, jamais o deixará de ser. Carregas em ti textos de um homem com medos dos sonhos, um homem com medo do degrau de cima e com saudades do degraus anteriores. Sim, é verdade. Embora seja aquele que diz que "está tudo bem" sou o mesmo que se deita na cama e adormece sem planos para acordar.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
...I Just Died In Your Arms!
Hoje passei na rua e vi alguém a remexer no lixo, enquanto eu colocava as
minhas compras no carro. Triste imagem essa que por vezes evitamos olhar,
perceber ou mesmo abordar. Será que a grandeza que leva essas pessoas a tomar
tal atitude é a mesma de quem passa os dias a vasculhar no "lixo do
passado"? Será que a fome de ser feliz, a necessidade de nos alimentarmos
com imagens, textos ou locais, à procura da serenidade outrora presente, nos
leve a vasculhar nos nossos baús ultrapassando vergonhas e medos. Quantas vezes me senti tentado a fazer um desvio no meu percurso só para
sentir... só para estar ali onde o epicentro tem o dom de silenciar todo em meu
redor e deixar-me (re)viver aquele momento. O som, o cheiro, a paisagem.
Foi
ali.
Acabou. Acho que é aqui que eu digo adeus a este capítulo da minha vida. Apenas quis pisar as pegadas firmes que dava porque já não sinto qual o chão que deva pisar. Agora, todas as fotos ficam imóveis e repletas de um cinzento frio. Os papeis, os bilhetes, os postais, todos eles voltam à gaveta mágica mas agora numa marcha fúnebre onde as lágrimas de cada um borratam os textos absorvendo as palavras e provocando o mais longo dia de chuva até então. Apagam-se as pegadas, os rastos, os cheiros e a facilidade de viver.
Por isso ainda hoje gosto dos dias chuvosos e esteja onde estiver, venho cá fora e deixo-a bater na minha cara e sentir cada palavra que cada gota traz e ao chegar à minha boca sinto finalmente o seu sabor, o sabor da felicidade.
(fazia algum tempo que não escrevia... amanhã volto a abrir a gaveta)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
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