sábado, 25 de abril de 2009

... Under a Veil

Não há nada que o tempo não altere.

À umas semanas atrás fiz um pequeno regresso ao passado-recente.

É impressionante como as “coisas” mudam, mesmo até aquilo que sentimos por elas.

Por vezes andamos anos e anos a lutar por elas. Choramos, rimos, debatemos, mentimos. Chegamos até a cometer erros que nunca mais nos esquecemos, ou porque fomos felizes através deles ou porque nos serviram de lição.

Um ano depois dos tempos áureos, quando tinha asas em vez de garras, quando tinha um sorriso em vez de uma lágrima e lutava por ela e não contra ela, voltamos a estar lado a lado. Ambiente calmo e sereno onde só se ouviam anjos e demónios apunhalarem-se e que de um modo subterfúgio escondem as derrotas de cada um.

E um vazio!

A sensação foi igual à de entrar numa casa, hoje vazia aos meus olhos, com paredes brancas, com os quadros caídos no chão, com as fotos que marcaram os melhores momentos vividos. Todos o mobiliário tinha desaparecido. Já não existia aquele “sofá” onde várias vezes encostava a cabeça no colo dela. A “mesa” na sala onde, enquanto jantávamos, fazíamos planos para o nosso futuro. Até o chão que muitas vezes substituiu a “cama” tinha o soalho degradado.

Ficou apenas a visita. O marco.

A neblina desapareceu e agora vejo que o caminho termina aqui. Restam umas quantas tábuas a pisar, só para sentir o cheiro da água. Se bem que águas passadas não movem moinhos, mas estas espelham o mar de felicidade com que me presenteaste estes anos.

Penso que ambos abrimos cicatrizes. Mesmo assim, saí de lá com um sorriso nos lábios, …ainda não sei porquê!

2 comentários:

Tampinhas disse...

Provavelmente esse sorriso, que não entendes, é fruto de todos os momentos bons, marcantes e apenas vossos, que ainda vivem em ti... e que de certeza não queres apagar!

Bom fim de semana.

Filipe Soares disse...

... ou então porque passei a estar do outro lado do espelho e vejo as coisas de outra prespectiva.
A tempestade tem um fim..., mas continuo na dúvida.